
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, assegurou que o Palácio do Planalto já encontrou o compasso político ideal para fazer tramitar no Senado a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que decreta o fim da escala de trabalho 6x1. Em entrevista contundente, o articulador político do governo minimizou eventuais impasses provocados pelo presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), destacando que o senador amapaense manifestou o desejo expresso de reatar os laços e "recompor a relação" direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A calmaria na articulação surge semanas após um dos maiores reveses sofridos pelo Executivo no Legislativo: a rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Guimarães, aquele episódio ficou para trás. O Planalto "aprumou o passo" e agora se apoia na aprovação esmagadora da PEC trabalhista na Câmara dos Deputados (que somou 472 votos a favor) para constranger as manobras de obstrução da oposição e consolidar a pauta como o grande trunfo eleitoral do governo até outubro.
Estratégia no Senado: Votação Direta em Plenário
Após o acerto de bastidores capitaneado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com Alcolumbre, a meta do Ministério das Relações Institucionais é encurtar o rito processual do fim da jornada de seis dias de trabalho na semana. Diante do forte apelo popular do tema, o governo quer evitar o trâmite demorado pelas comissões temáticas.
“Do jeito que está o texto, o ideal seria levar direto para o plenário. Vai depender do Davi, porque a oposição quer retardar. [...] Eu e o Hugo estamos trabalhando para buscar um encaminhamento que permita a votação imediata, sem protelamento no Senado.”
Questionado sobre a insatisfação de Alcolumbre com o Planalto nos bastidores, o ministro rechaçou o peso de picuinhas pessoais na macrofísica do poder: “A política não é feita de chateação e mau olhar. É o diálogo”, declarou Guimarães, revelando que conversa quase diariamente com o presidente do Senado e que este tem pedido agendas com Lula para selar a paz.
O Peso Eleitoral da Escala 5x2 e o Isolamento do PL
Os levantamentos internos do governo federal apontam que mais de 70% da população apoia a transição para a jornada de trabalho com dois dias de descanso. Segundo Guimarães, esse corte atinge cirurgicamente as fatias do eleitorado formadas por mulheres e jovens, o que justifica a pressa em liquidar o tema.
Sobre as críticas de empresários e da oposição, que acusam o Planalto de usar a PEC com finalidades puramente eleitoreiras devido à proximidade do pleito de outubro, o ministro disparou:
“Tudo que o governo faz dizem que é questão eleitoral. Lembre-se, o Bolsonaro disputou a eleição em 2022 e, em agosto, aumentou o Bolsa Família. Eles vão dizer que é eleitoral, mas vamos parar o país?”
Guimarães aproveitou para fustigar o líder da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmando que o parlamentar "quebrou a cara" ao profetizar o fim do governo após o revés da indicação de Messias ao STF. O ministro previu o isolamento político do PL e da extrema direita, argumentando que a oposição errou a mão ao se posicionar contra os direitos trabalhistas e prever a quebra da economia caso a matéria passe.
A Nova Governabilidade: Fim do "Fisiologismo Sem Voto"
A votação da PEC da jornada de trabalho marcou um feito raro: partidos do Centrão como o PP e o União Brasil fecharam questão em favor de uma matéria estratégica para o governo de esquerda. Para o chefe da pasta de Relações Institucionais, isso acende um sinal verde para repensar o atual modelo do presidencialismo de coalizão brasileiro.
O ministro defendeu uma "concertação" e endureceu o discurso contra deputados e senadores que faturam emendas orçamentárias, mas mantêm postura de oposição nas votações secretas e abertas:
Pauta Limpa Antes das Urnas
Na visão de José Guimarães, o cronograma ideal de votações no Senado Federal antes que o Congresso Nacional entre em recesso informal para o período de campanha eleitoral deve focar em uma tríade enxuta de projetos, blindando a equipe econômica de desgastes fiscais:
1. PEC do Fim da Escala 6x1;
2. PEC da Segurança Pública;
3. Regulamentação dos Minerais Críticos.
Ao listar as prioridades, o ministro sinalizou que o governo operará para congelar "pautas-bomba" de aumento de gastos e blindar a autoridade fiscal. Sobre as decisões recentes do Banco Central a respeito da taxa de juros, Guimarães manteve o tom crítico adotado pela legenda governista, classificando o atual patamar de juros no Brasil como "inaceitável" diante de um cenário com três anos seguidos de inflação sob controle.
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